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cabral 1Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro

Preso pela Lava-Jato, ex-governador é acusado pelo Ministério Público de liderar grupo que desviou R$ 224 milhões em contratos com empreiteiras. 

Por LEANDRO LOYOLA

A prisão do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, do PMDB, na manhã desta quinta-feira (17) abre uma nova fila na Operação Lava Jato.

Do esquema nacional, conduzido em Brasília, já se viram várias detenções. Cabral é o representante de um novo filão, o dos governadores e ex-governadores que fizeram negócios sujos com as empresas do petróleo e filiadas como a Delta e a Carioca Engenharia, cujos executivos já foram devidamente incluídos como colaboradores da força-tarefa do Ministério Público Federal que investiga o esquema. Como ele, outros terão problemas judiciais para se explicar.

Cabral recebeu a – há muito tempo cantada e esperada – visita da Polícia Federal às 6 horas da manhã, em seu apartamento no bonito bairro do Leblon. Na hora de sair no carro da PF, lembrou-se do gosto amargo que o poder lhe rendeu: foi vaiado e xingado por populares que comemoravam sua detenção. No início de seu governo, Cabral experimentou a popularidade e o direito de falar várias bobagens em público; mas, desde 2013, teve de acostumar-se. O estado está falido financeiramente e Cabral é figura lembrada.

A conta final veio nesta quinta-feira cedo. A PF colocou na rua 230 policiais para cumprir os 62 mandados (oito de prisão preventiva) da Operação Calicute, um filhote da Lava Jato. Executou a prisão de Cabral com base em dois pedidos – um do juiz Sergio Moro, outro do juiz Marcelo Bretas –, baseados nas delações premiadas de Fernando Cavendish, da Delta Engenharia, a empreiteira preferida de Cabral em seu governo, e de executivos da Andrade Gutierrez e da Carioca Engenharia. Nos cálculos da Polícia Federal, Cabral comandou um esquema que desviou cerca de R$ 225 milhões dos cofres públicos.

Junto com ele foram presos dois ex-secretários, Wilson Carlos e Hudson Braga. Wilson Carlos fez parte da Gangue dos Guardanapos, apelido dado pelo – também preso – ex-governador Anthony Garotinho à turma de secretários de Cabral flagrada numa foto ridícula, vestidos com guardanapos na cabeça em um restaurante caro em Paris. Cavendish, hoje delator, era um dos convivas de cabeça decorada. Era um tempo de fausto, quando a mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, ganhou de Cavendish um anel de R$ 800 mil da joalheria Van Cleef, em Mônaco. Nesta quinta-feira, Adriana foi conduzida coercitivamente pela PF para prestar depoimento.

cabral 3O governador Pezão, o  ex- governador Cabral e o prefeito do Rio, Eduardo Paes – Sem comentários

Da turma estadual, Cabral era certamente o mais notório e a bola mais cantada da Lava Jato. Era acusado pela turma da Andrade de cobrar propina de R$ 60 milhões nos contratos da reforma de R$ 1,2 bilhão do Maracanã. Os executivos da Carioca confessaram pagamento de R$ 176 milhões em propina por terem participado das obras do Maracanã e do Arco Metropolitano. Cabral sempre negou tudo. Agora terá tempo de explicar-se. A Lava Jato tem mais de uma dezena de governadores e ex-governadores como Cabral em investigação. Já existem indícios de fraudes em obras públicas em São Paulo, especialmente no metrô, e em Pernambuco. A maior de todas as delações, da Odebrecht, chegará em breve e deverá render a políticos o mesmo sentimento de Cabral, aquele gosto ruim de ter de responder por um passado que lhes foi favorável e que eles não gostariam de ver exposto.

FONTE: ÉPOCA

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